Pleiotropia, Interação Gênica e Herança Quantitativa

Pleiotropia, Interação Gênica e Herança Quantitativa

PLEIOTROPIA

Por: Cindy Barreto

Quando um mesmo par de alelos, sob as mesmas condições ambientais, for responsável pela determinação de dois ou mais caracteres ocorre Pleiotropia. Esse processo é bastante freqüente, ocorrendo na maioria dos casos de herança genética.

Exemplo (LOPES, 2005): Sabemos que existem as duas variedades de cebola: a branca e a avermelhada. A avermelhada é resistente ao ataque de um determinado fungo parasita, enquanto que a branca não é. Estudos mostraram que um único gene recessivo era, em condição homozigótica, o responsável pela manifestação desses dois caracteres: cor vermelha e produção de substâncias que impedem a fixação do fungo parasita, configurando um caso de pleiotropia.

 

INTERAÇÃO GÊNICA

Por: Cindy Barreto

As interações gênicas são divididas em epistáticas e não-epistáticas.

Interações Gênicas Epistáticas

Ocorrem quando um gene, denominado epistático, leva à supressão de outro não-alelo e localizado em um cromossomo não-homólogo, denominado hipostático. O fenômeno envolve uma ação conjunta entre dois pares de genes.

Epistasia Dominante

Ocorre quando o alelo dominante de um par de alelos age na supressão de outro par.

Exemplo (LOPES, 2005): A cor da pelagem de cavalos depende, entre outros fatores, de dois pares de genes: Ww e Bb. O alelo W suprime a manifestação da cor e é dominante sobre seu alelo w, que permite a manifestação da cor; o gene B determina pelos pretos e seu alelo b, pelos marrons. Quando o gene W está presente no genótipo, o fenótipo é pelos brancos, pois ele é dominante e suprime a ação dos genes do outro par. Pode-se dizer, então, que o gene W é epistático, enquanto os alelos B e b são hipostáticos.

Epistasia Recessiva

Ocorre quando o par de recessivos de um lócus aa, por exemplo, suprime a ação de genes de outro par de homólogos, B e b, por exemplo. Ao mesmo tempo, o par de recessivos deste, bb, suprimirá a ação de genes daquele, A e a. Quando ocorrer um duplo par de recessivos, o fenótipo será igual. Quando houver a presença de dominantes em ambos os pares, A_ e B_, eles agirão de forma a produzir um fenótipo diferente.

Exemplo (LOPES, 2005): A surdez congênita humana é devida à homozigose dos genes recessivos d ou e, que interagem na determinação desse caractere. São necessários dois alelos dominantes D e E para a audição normal.

Interações Gênicas Não-Epistáticas

Ocorre quando dois pares de alelos determinarão uma única característica, de acordo com o tipo de combinação que realizarem.

Exemplo (LOPES, 2005): A crista dos galináceos é determinada pela combinação de alelos R e E. Dependendo da combinação entre eles, um tipo de crista fará presente, como mostra a tabela a seguir:

Combinação dos Alelos

Tipo de Crista

R_E_

Crista tipo Noz

R_ee

Crista tipo Rosa

rrE_

Crista tipo Ervilha

rree

Crista tipo Simples

 

Dica: Na seção figuras, FIGURA 8, você poderá visualizar os tipos de crista dos galináceos.

 

HERANÇA QUANTITATIVA

Por: Cindy Barreto

Herança quantitativa, poligenia ou herança poligênica, é um caso de interação gênica em que os fenótipos são contínuos. Os genes que participam da herança quantitativa são denominados poligenes, sendo que cada um desses contribui com uma parcela do fenótipo em questão.

Neste tipo de herança, há um padrão de distribuição que obedece ao binômio de Newton: (p + q)n, sendo n=número de poligenes. Segundo Lopes (2005), pode-se desenvolver o binômio para vários valores de n, possibilitando a construção do triângulo de Pascal com base na distribuição dos coeficientes binomiais. Assim, o coeficiente binomial será o numerador da representação fenotípica e o número total será o denominador.

Exemplo: A cor da pele em humanos é determinada por, no mínimo, dois pares de alelos, localizados em cromossomos não-homólogos: B e b e P e p. Os alelos dominantes determinam uma maior produção de melanina pelas células do indivíduo, portanto, indivíduos BBPP terão maior produção de melanina que indivíduos bbpp. Devemos contabilizar também os indivíduos intermediários BBPp, BBpp, BbPP, BbPp, Bbpp, bbPP e bbPp. Se tomarmos como modelo de construção fenotípica o triângulo de Pascal, poderemos observar a freqüência fenotípica a seguir:

 

Genótipo

Fenótipo

Proporção Fenotípica

BBPP

Preto

1:16

BbPP, BBPp

Pardo Escuro

4:16

BBpp, bbPP, BbPp

Pardo Médio

6:16

Bbpp, bbPp

Pardo Claro

4:16

bbpp

Branco

1:16

 

 

Observando a tabela, percebemos que indivíduos heterozigotos são muito mais freqüentes que indivíduos duplamente homozigotos, sendo, portanto, mais comum indivíduos intermediários para o estímulo de produção de melanina.

Dica: Na seção figuras, FIGURA 9, você poderá visualizar o triângulo de Pascal.

 

Fontes de Pesquisa

EMBRAPA – SISTEMAS DE PRODUÇÃO 5 (HORTALIÇAS) Sistema de Produção de Cebola (Allium cepa L) Doenças e Métodos de Controle:

http://www.cnph.embrapa.br/sistprod/cebola/doencas.htm

Sônia Lopes: Bio Volume Único – 1°edição 3° Triagem Editora Saraiva